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26 de maio de 2014

Dia 31 de maio acontece o 1º Caramanchão Cultural.




Para relembrar as memórias e lutas da primeira companhia de cimento do Brasil, o movimento pela Reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus (região noroeste de São Paulo) realiza no dia 31 de Maio o 1° Caramanchão Cultural, que acontece das 10h às 22h, em diversos pontos do bairro, inclusive no portão principal da antiga indústria.

Com mais de 20 atrações, entre oficinas, grafitti, shows, teatro, cortejo pelo bairro e imperdível baile aos moldes antigos.

Confira a programação

Pelo uso público da Fábrica de Cimento Portland Perus

Firmeza Permanente

http://movimentofabricaperus.wordpress.com/2014/05/20/evento-cultural-resgata-memoria-da-fabrica-de-cimento-de-perus/




21 de janeiro de 2014

Movimento pela reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus

No dia 30 de janeiro, o Movimento pela reapropriação da Fábrica de Cimento de Perus realiza sua 1ª reunião do ano, para decidir as principais pautas que nortearão a reivindicação em prol do uso público da fábrica e as estratégias necessárias para alcançar esse objetivo. A reunião acontece às 19h, no Sindicato dos Trabalhadores do Cimento, Cal e Gesso, localizado na Rua Padre Manuel Campello, 182, em Perus (SP). Participe! 

Assine a petição no site do Avaaz e colabore para a reapropriação da Fábrica de Cimento. Esperamos chegar até 100 mil assinaturas 



Funcionários em 1958: protesto por melhores condições de trabalho
(Foto: ACERVO SINDICATO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA DO CIMENTO C.G. SP)


23 de novembro de 2012

O Ato Artístico Cimento Perus - Por Jessica Moreira


Moradores de Perus protestam por centro cultural em antiga fábrica de cimento



Por Jéssica Moreira

     Enquanto olhava para uma fotografia em preto e branco, Francisca Cunha, 90, se emocionava ao enxergar a casa onde morou quando tinha dez anos. Depois de alguns minutos, a história de Francisca também se misturou à de Nair Silva, 77, que se lembrou dos tempos em que sequer existia energia elétrica em Perus, na zona norte de São Paulo.

     Foi com esta memória em comum que diversos moradores do bairro se reuniram nesse sábado (4/8) para um grande ato artístico pelos pontos históricos do lugar. O objetivo é resgatar a memória e reascender a luta por um Centro de Cultura do Trabalhador na área onde funcionava a antiga Fábrica de Cimento Portland Perus, que, mesmo tombada como patrimônio histórico da cidade, está totalmente abandonada.

     O Ato Artístico Cimento Perus foi promovido pelo Grupo de Teatro Pandora em parceria com a Comunidade Cultural Quilombaque. Na opinião do coordenador da Quilombaque, José Queiroz, o investimento em cultura é um dos pilares para a transformação social da periferia.
“Promover a cultura local implica em constituir um circuito produtor e difusor estável e sustentável, aumentando a circulação de capital localmente”, disse.

     Para o diretor do Grupo Pandora de Teatro, Lucas Vitorino, a linguagem teatral  pode fortalecer o diálogo com a população. “Falar da história da fábrica e dessa resistência de sete anos de greve não é só falar da história de Perus, mas também da história do Brasil. Acredito que, com o teatro, nós podemos ganhar no diálogo, pois é uma força de comunicação, mesmo que seja uma comunicação sensorial, fazendo com que as pessoas também se reconheçam como parte desta história'”, disse.

     O Grupo Pandora pesquisa a história da Fábrica há sete anos e, agora, com o recurso da Lei de Fomento ao Teatro, irá produzir um espetáculo sobre o tema.

     Enquanto o grupo de maracatu Os Mucambos animava o cortejo até a fábrica, outros moradores iam se aproximando. Garotos que sempre tiveram vontade de entrar no prédio vinham correndo. “Pode entrar”? 
Paravam, com medo do guarda, mas logo se animavam ao saber que o dia era de festa.

     Depois de anos sem entrar no espaço, Sebastião de Souza Silva, 79, contou sobre os sete anos de greve liderados pelo sindicato dos queixadas (grupo de reivindicações trabalhistas de Perus) e a importância da restauração do espaço. “A transformação da fábrica em um centro cultural vai ser uma coisa que eu talvez não chegue a alcançar, mas a minha esperança é que os meus netos e bisnetos vejam e possam desfrutar disso tudo”, disse Tião, um dos últimos queixadas ainda vivo.









Fotos: Luh SIlva


22 de outubro de 2009

MANIFESTO ARTE PELA BARBÁRIE

Ave, Senhores! Nós, que admiramos a vida, vos saudamos.

Nós, artistas, trabalhadores descartados como a maior parte da população; nós, que nos reunimos em grupos para, coletivamente, criar outra forma de produzir e existir diferente dos cárceres privados das empresas; nós, que pensamos e vivemos diferente dos Senhores, vejam só, vos saudamos.

Ave, Senhores! Nós, que teimamos em sonhar, vos saudamos.

Os senhores certamente nos conhecem: nos últimos vinte anos dada a capilaridade do nosso fazer artesanal e cotidiano, embrenhamos o nosso teatro na vida e na geografia de todo o país. Foi assim que algumas conquistas nossas impediram o saqueio cultural definitivo. A disputa por uma arte e uma cultura de relevância pública como parte das prioridades de estado, fomentaram a partir de leis e propostas democráticas, a construção de uma consciência crítica, a ponto da questão cultural fazer parte das discussões mais candentes do dia-a-dia.
É por isso que nós, que fazemos no palco, a radiografia estética de sua civilização, de sua violência, guerra e morte, do seu desmanche de seres humanos, de seu mercado falido, de sua apropriação privada do mundo e de homens; nós, que ousamos sonhar hoje para recriar a humanidade de amanhã, vos saudamos. Por que lutamos para parar a lógica da desordem que é a concorrência e a guerra entre tudo e todos em nome do lucro, da propriedade privada, da acumulação de riquezas nas mãos de poucos.

Nós, que existimos, produzimos, criamos sonhos, idéias, seres humanos. Mas não fabricamos, não podemos e nem queremos fabricar lucros. Não somos, não queremos ser e não acreditamos em vossos valores e parâmetros de eficiência e auto-sustentabilidade. Existimos. Somos o outro de vós, a outra voz, outro corpo, outro sonho. E nos afirmamos enquanto forma de produção e enquanto criação estética de pensamento e seres humanos.

É desse lugar que, mais uma vez, cobramos as promessas por uma sociedade mais justa, onde todos teriam direitos iguais. Mas como isso será possível se 13% do orçamento da cidade de São Paulo e mais de 30% do orçamento do Brasil vão direto para os cofres dos banqueiros, sem nenhuma discussão da sociedade? Como encarar a cultura como direito de todos, se a Prefeitura da maior cidade do país e o governo da União destinam menos de 1% de seus orçamentos para a cultura? Como justificar uma divisão de recursos públicos que destina 200 milhões ao Fundo Nacional de Cultura e 1,4 bilhões ao marketing das grandes corporações através da renúncia fiscal, da famigerada Lei Rouanet? Que reserva 38 milhões para o Teatro Municipal de São Paulo, 10 milhões para TODOS os demais núcleos teatrais da cidade e praticamente nada para os demais? É pouco para o Teatro Municipal, é pouco para os grupos e é pouco para a arte e a cultura da maior cidade do país.

Esses números traduzem a ausência de políticas públicas de Estado, a ausência da própria política: os governos e os espetáculos informativos da mídia privada apenas operam como gerentes e administradores dos negócios do mercado.

Ave, Senhores! Ironicamente, apenas cobramos a realização da sua República e das suas leis. Exigimos investimentos na cultura, entendida como direito extensivo a todos, direito que o mercado não consegue, não pode e não quer concretizar. É simples assim: que o Legislativo legisle e o Executivo execute uma política pública de Estado, e não de governo, nas três esferas – municipal, estadual, federal, através de:

1) programas públicos – e não um programa único de ‘incentivo’ ao mercado – estabelecidos em leis, com regras e orçamentos próprios a serem cumpridos por todos os governos; programas com caráter estrutural e estruturante;

2) Fundos de Cultura, também através de leis, com regras e orçamentos próprios, como mecanismos para atender – para além do governo de plantão – as necessidades imediatas e conjunturais, através de editais públicos.

É hora de aumentar o orçamento do Programa de Fomento em São Paulo, aumentando o número de grupos dentro do programa e criando a categoria de núcleos estáveis; é hora de criar o Fundo Estadual de Arte e Cultura, engavetado no governo passado; é hora de desengavetar nossa proposta de lei que cria o Prêmio Teatro Brasileiro para todo o território nacional.

Fora isso, é o império mercantil, a exclusão, a violência, a morte.

Ave, Senhores! Nós, bárbaros, ao reafirmarmos a vida, vos saudamos.

22 segundos de Arte "PELA" Bárbarie...



O terrorismo poético dos artistas da cena


Imobilizados por 22 segundos, atores querem arte 'pela' e não mais 'contra' a barbárie
Beth Néspoli, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O espectador acompanha um espetáculo e, subitamente, os atores congelam uma cena por um tempo que parece longo. Finalmente, um deles diz: 22 segundos de "arte pela barbárie". E a peça continua como se nada houvesse acontecido, sem explicações. Quem não tem coragem de perguntar ao final, sai intrigado. Tal "ação poética" ocorreu no sábado em Veleidades Tropicaes, montagem da Cia. do Feijão, que faz uma espécie de diagnóstico político do Brasil. Para entender veja o vídeo no Youtube: De saída, provoca estranhamento ouvir ‘arte ‘pela’ barbárie" de atores que tiveram participação ativa no movimento político que ficou conhecido como Arte ‘Contra’ a Barbárie. "Desde o início, um professor já alertara para a inversão desse conceito, uma vez que esta civilização baseada no capital e no lucro precisaria de invasões bárbaras para mudar", diz Pedro Pires, diretor do Feijão.Daí a frase agora incorporada em mais uma forte mobilização do mesmo movimento por políticas públicas para as artes. Desde sábado, tal ação de congelamento vem sendo realizada em mais de 40 espetáculos criados por grupos engajados (confira abaixo). E esses artistas prometem tomar conta da cidade no dia 22 de setembro com o que estão chamando de terrorismo poético. "Queremos criar ações que sejam artísticas, pois essa é a nossa expressão", diz Pedro. Planeja-se congelamentos pelas ruas da cidade e ‘ataque de aviões de papel’. O ‘alistamento’ de artistas pode ser feito pelo email cardere@gmail.com. Paralelamente, comissões reduzidas estão estudando leis de fomento ao teatro de outros países, como Inglaterra, Argentina, Chile e França, e levantando dados sobre orçamentos para a cultura. Bom ficar atento. Ao que tudo indica, vem outra onda de mobilização teatral por aí.

FONTE: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090826/not_imp424808,0.php


Blog: http://artepelabarbarie.blogspot.com/

21 de setembro de 2009

Carta-Protesto.

Subprefeitura de Perus desrespeita grupos locais

A comemoração dos 75 anos de Perus, no último domingo (20/09), tinha tudo para ser uma festa bonita. E em grande parte até foi. Mas só seria completa se a organização do evento, leia-se Subprefeitura de Perus, não tivesse cortado dois grupos culturais do bairro na última hora. O grupo de teatro Pandora e o grupo Refúgio, bloco de percussão da Comunidade Cultural Quilombaque, foram informados no local da festa de que não haveria possibilidade de participarem, pois a 89FM, patrocinador do evento e responsável pela vinda de Wanessa Camargo ao show, precisava do palco para fazer a passagem de som.

Com um público estimado de 5 mil pessoas, também não haveria possibilidade de se apresentar no meio da Praça do Samba, onde a festa foi realizada. Com o corte súbito, quando os grupos já estavam prontos para fazer suas intervenções, fica a pergunta: há valorização das iniciativas culturais realizadas por gente que se preocupa com o cenário árido da arte e lazer em Perus? O grupo Esquadrão Arte Capoeira, também do bairro, se apresentou no meio da muvuca e quase passou despercebido.

Um pouco de respeito com os grupos do bairro, que estão lutando diariamente para transformar Perus por meio da arte e da cultura, seria muito bem-vindo. Afinal, grupos como a Quilombaque e o Pandora, que surgem exatamente pelo apreço e respeito que o poder público destina a cultura (0,00 no orçamento), seguem crescendo e se desenvolvendo. Somente neste ano foram dezenas de apresentações nas praças, ruelas e escolas do bairro, grupos e bandas musicais, cinema, teatro, poesia, artesanato. Arte, cultura e lazer alcançando milhares de moradores. Até limpamos e pintamos a Praça Inácio Dias e seu histórico coreto. Do jeito que surgimos, vamos seguir de cabeça erguida e convicção renovada.

Perde a população ao ver, em seu nome e a título de comemorar o aniversário de seu bairro, seus escassos recursos patrocinando o desrespeito aos seus próprios moradores. Perdem os administradores públicos a oportunidade de progredirem alguns séculos, sendo competentes, zelosos e respeitosos e fazer o que centenas de cidades e bairros fazem: valorização da cultura local.

Fica aqui o protesto.

(Comunidade Cultural Quilombaque e Grupo Pandora)