19 de julho de 2018

Matéria da TV Gazeta sobre o espetáculo COMUM

Matéria da TV Gazeta sobre o espetáculo COMUM do Grupo Pandora de Teatro que segue em temporada na Ocupação Artística Canhoba Perus até 04/08 sextas às 20h e sábados às 19h.

COMUM
Três histórias ligadas à descoberta de uma vala comum clandestina criada no período da Ditadura Militar Brasileira. A busca de um filho por informações de seus pais desaparecidos políticos. O dilema de dois coveiros encarregados da criação de uma vala. Uma jovem estudante que se aproxima do ativismo político. 1970/1990 épocas distintas se entrelaçam nos fragmentos dessas histórias e evidenciam causas e consequências.

Este projeto foi contemplado pela 30ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo.

Temporada até 04 de agosto de 2018
Dias e Horários: sextas às 20h e Sábado às 19h
Duração: 100 min
Faixa etária: 12 anos
Local: Ocupação Artística Canhoba - Cine Teatro Pandora - Endereço: Rua Canhoba, 299 - Perus (próximo à caixa d' água). São Paulo/SP.
Preço: Contribuição voluntária
Lotação: 40 lugares

9 de julho de 2018

Grupo Pandora estreia espetáculo em Perus sobre vala clandestina no Bairro

Com 14 anos de atuação em Perus, o Grupo Pandora de Teatro estreia COMUM espetáculo inspirado na descoberta da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em 1990, onde foram deixadas mais de mil ossadas, dentre elas, dezenas de desaparecidos políticos no período da ditadura.

Espetáculo Comum remete o público a uma parte da história do Bairro de Perus

No dia 13 de Julho (sexta-feira), às 20h00, o Grupo Pandora de Teatro estreia o espetáculo COMUM na Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora, atual sede do grupo que fica no Bairro de Perus, extremo da Zona Norte de São Paulo.

O espaço, que atualmente é gerido pelo Grupo Pandora de Teatro, foi construído em 2010 pela Prefeitura de São Paulo para abrigar um Ponto de Leitura da cidade. Porém a obra foi paralisada e o espaço nunca chegou a cumprir função social. Abandonado e degradado, acabou virando ponto de encontro de usuários de drogas, trazendo medo e incomodo para a população local.

Em Fevereiro de 2016, com a colaboração dos moradores locais e com a ajuda de diversos coletivos, o Grupo Pandora realizou a revitalização do espaço e o transformou em um polo cultural que recebeu o nome de Ocupação Artística Canhoba – Cine Teatro Pandora.

A população do bairro, até então carente por opções de lazer e cultura na região, passou a ser frequentadora assídua do espaço e a usufruir de atividades como oficinas, debates, exibições de cinema e apresentações artísticas. Hoje, o espaço também é utilizado como sala de ensaio por diferentes coletivos.

“Esse espaço vem da demanda de artistas locais e moradores que não aguentavam mais um espaço abandonado na frente de suas casas, sem cumprir nenhuma função social. É comum escutarmos dos moradores ‘Antes eu não passava nem na frente deste lugar, agora me sinto convidado a entrar e participar’”, conta Lucas Vitorino, doGrupo Pandora.

Desde a sua criação, o espaço estabeleceu uma grande conexão com o território que o cerca e com a população local, assim como o Grupo Pandora, formado predominantemente por moradores de Perus. Com seu novo espetáculo, o grupo segue em sua pesquisa com temas relacionados à história do bairro.

COMUM tem como eixo norteador o período ditatorial brasileiro e a descoberta da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco em 1990, local que fica a cerca de 2 quilômetros da Canhoba. Uma vala comum com mais de mil ossadas, onde foram identificados desaparecidos políticos e cidadãos mortos pela violência da ditadura militar.

A revelação da existência de uma vala clandestina dentro de um cemitério oficialdesencadeou um processo de busca da verdade sem precedentes no país. A vala comum do Cemitério Dom Bosco foi apresentada ao mundo como um dos muitos crimes cometidos pelo regime surgido com o golpe de estado de 1964, e trouxe a crueldade da ditadura militar à tona no começo dos anos 1990. Até ali, o desaparecimento de pessoas, os falsos tiroteios e atropelamentos, as marcas de tortura e dores da perda, pertenciam apenas ao universo dos familiares, sobreviventes e amigos.

O espetáculo é formado por fragmentos de três histórias que se relacionam e se complementam. A primeira se passa no final dos anos 80, quando um jovem precisa passar por diversos obstáculos e conflitos para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de seus pais, envolvidos com atividades de movimentos revolucionários na época da ditadura militar.


A segunda, inspirada nos coveiros da peça Hamlet de William Shakespeare, se passa nos anos 70 e retrata de forma cômica o universo de dois coveiros que recebem uma estranha tarefa: cavar uma vala enorme, de tamanho desproporcional.

A terceira é a historia de Beatriz Portinari e seu namorado, Carlos. O casal é retratado desde o primeiro encontro, as atividades politicas na faculdade em pleno período da ditadura militar, até a transformação desta garota comum em uma integrante do Movimento Estudantil. Seus ideais, contradições, sua prisão e o nascimento de seu filho.

A temporada de estreia de COMUM faz parte das ações do projeto contemplado na 30ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, e conta com apresentações também no centro da cidade. Em Agosto o grupo se apresenta no Teatro de Container, no bairro Santa Ifigênia, em Setembro na sede daCompanhia do Feijão (República), Outubro e Novembro na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Bom Retiro). Além de apresentações em outros locais com datas ainda a definir.

Em 2018 o Grupo Pandora de Teatro comemora 14 anos de um trabalho contínuo de pesquisa e criação teatral no bairro de Perus, fortalecendo parcerias com polos culturais, artistas da região e com a própria população.

Compõe seu repertório também o espetáculo “Relicário de Concreto” (2013) inspirado nas memórias dos trabalhadores da Fábrica de Cimento Portland Perus e na Greve dos Queixadas, que ocorreu na Fábrica e durou sete anos. Além de ter lançado um livro chamado “Efêmero Concreto – Trajetória do Grupo Pandora de Teatro” organizado por Thalita Duarte e Lucas Vitorino, que destaca as ações do grupo fomentando a cultura no bairro e atuando em prol da revitalização da Fábrica de Cimento Portland Perus.


Espetáculo: COMUM
Sinopse: Inspirado na descoberta da vala clandestina do Cemitério Dom Bosco no bairro de Perus em 1990. Um jovem em busca de informações sobre o desaparecimento de seus pais, dois coveiros envolvidos com a criação da vala e uma estudante que se aproxima do ativismo político. 1970/1990 épocas distintas se entrelaçam e evidenciam causas e consequências.

Ficha Técnica
Criação: Grupo Pandora de Teatro |Texto e direção: Lucas Vitorino | Elenco: Filipe Pereira, Rodolfo Vetore, Rodrigo Vicente, Thalita Duarte e Wellington Candido | Figurino: Thais Mukai | Design de luz e músico: Elves Ferreira | Operação de Luz: Caroline Alves | Edição de Vídeo: Filipe Dias | Cenografia: Lucas Vitorino e Thalita Duarte | Cenotecnia: Eprom Eventos e Luis Fernando Soares | Operação de Vídeo: Lucas Vitorino | Treinamento corporal: Rodrigo Vicente e Rodolfo Vetore | Preparação corpo e voz: Paula Klein | Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini | Produção: Caroline Alves e Thalita Duarte.

Temporada: de 13 de julho de 2018 a 04 de agosto de 2018
Dias e Horários: sextas às 20h e Sábado às 19h
Duração: 100 min
Faixa etária: 12 anos
Local: Ocupação Artística Canhoba - Cine Teatro Pandora - Endereço: Rua Canhoba, 299 - Perus. São Paulo/SP.
Preço: Contribuição voluntária 
Lotação: 40 lugares

3 de março de 2018

O que torna um humano diferente do outro? A cor? A classe social? O pedaço de terra em que nasceu?


Por Gustavo Guimarães Gonçalves


“NOMES PARA FURACÕES” é uma peça com quatro atores que representa a brutalidade humana contra imigrantes. A arbitrariedade associada a poderes e vontades. um delírio sobre a crise humanitária de nosso tempo, tendo dois imigrantes (pai e filha) e dois soldados como protagonistas.

Alice, assim como na história clássica e como toda criança envolvida em uma guerra é mais uma que cai em um buraco sem saber o motivo. São Alices de tempos absurdos, de histórias absurdas em um lugar em que reis e rainhas dançam e comem só pensando em mais anéis em suas mãos.

Foto: Ale Cruz

Dando suporte para tudo isso: soldados. Seres que se escondem atrás de armas e estão a serviço de algo. Poderes e vontades. Na peça, duas cômicas figuras que até mesmo sem poder pegar em armas, precisam de outras mãos para matar e terem a sensação de poder. E novamente a ficção retrata a dura realidade, o abuso dos “Bravos soldados” (repare bem nas aspas) que se escondem atrás de armas, é o abuso de muitos que gastam a vida destruindo a humanidade. 

Outras vidas que não querem guerra, nem poder, apenas a paz e o luxo de viver; Como o pai de Alice que tem forças para chegar ao dia seguinte por ser guiado pelo amor e a vontade de ver a filha feliz, vivendo o que ainda não viveu. Podendo amar. Podendo sentir. Podendo ir até outros horizontes.

Foto: Ale Cruz


No cenário da peça: Relógio, xícara, livro, abajur, sino, tudo pendurado, fazendo o tempo e o espaço se multiplicarem com loopings temporais de vidas sem esperança, separadas por exclusões. Porém, os atores brincam com as luzes, como a luz utópica que vimos no fim desse túnel contemporâneo, cheio de soldados se auto mutilando. Infelizmente não tem lugar no mundo sem soldados. Armados, privilegiados ou alienados.

Assisti à peça em fevereiro de 2018, tempos de bombardeios na síria, os jornais dizem 250 mortos, porém, impossível conta-los, não tem trégua. O soldado? A vítima? Da tranquilidade de apertar um botão, para o desespero e o último suspiro de uma explosão. Importante ressaltar que assisti à peça em tempos de intervenção militar no Rio de Janeiro, tempos em que a palavra “violência” é sinônimo de segurança pública e salta da boca de políticos extremistas. Brasil que o crucifixo que representa fé faz uma junção com a arma, que representa extermínio e ódio. Estamos bem próximos dos imigrantes.

Também estamos bem próximos dos soldados de guerra: temos a vontade de ser bélicos o tempo todo. Cada um tem um homem bomba dentro de si, capaz de despertar nosso instinto animalesco a qualquer momento, porém, podemos pensar e nos diferenciarmos de bichos que não se colocam no lugar do outro. Temos o poder, assim como no teatro, de lembrarmos que o próximo é gente como a gente.   

Essa peça me apresenta provas: de que o teatro é vivo.

Gustavo Guimarães Gonçalves, é diretor, ator e dramaturgo.